domingo, 9 de setembro de 2012
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sábado, 8 de setembro de 2012
COMPA: Ato Inaugural: A Outra Campanha Belo Horizonte/MG
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sábado, 1 de setembro de 2012
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
A singularidade no desenvolvimento do pensar individual, na pluralidade do entendimento coletivo.
As novas relações e conexões sociais, restabelecidas
pela revolução tecnológica, demonstram como a inteligência social pode
influir de forma positiva na compreensão e na elaboração dos valores da
sociedade globalizada, facilitando o entendimento das novas estruturas e
relações sociais.
Palavras chaves: Tecnologia, Informação, Comunicação e sociedade.
Enfatizar a importância do conhecimento associado à tecnologia voltada
para a responsabilidade social.
A escalada tecnológica se apresenta com grande bipolaridade, todas as
classes sociais se beneficiando ou não com a globalização, reforma ou
revolução, tirania ou democracia.
A globalização que teve inicio no começo do capitalismo (quando se deu
inicio as navegações e a expansão do comércio), vem passando por um processo de
rebuscar o passado, globalizam-se perspectivas sociais, pessoais, políticos
econômicos e culturais.
Recriando o presente apresentando desenvolvimentos nas áreas tecnológicas
trazendo uma forte revolução nas áreas da comunicação e nos fluxos de
informação, o mundo social rompe cada vez, mas com o mundo individual alterando
o comportamento e o pensamento das massas.
Imaginar no futuro a tecnologia interagindo entre as pessoas e todos os
ramos da sociedade em busca do saber e do conhecimento, o aprendizado
trabalhando em prol do aprendiz possibilitando aos mesmos, novos caminhos a
reconstrução de sua identidade uma nova postura diante de si mesmo, da
sociedade e do mundo.
Ao compartilhar o entendimento de uma mesma informação o coletivo precisa
construir o senso comum através da conferência, da união e da associação das
proposições individuais, através de uma rede que os conecta que os liga a
outras interpretações, de uma mesma mensagem que esteja e possa ser
reinterpretada e compartilhada.
Trabalhar, estudar, viver, conversar fraternalmente com outros seres,
cruzar um pouco por sua história.
O conhecimento em suas múltiplas
formas de se processar encontra-se hoje em um
momento de construir uma bagagem de referências
e associações comuns, uma rede hipertextual unificada, um contexto
compartilhado, capaz de diminuir os riscos de incompreensão.
“Um texto já é sempre um hipertexto, uma rede de associações.” (Pierre
Levy).
O uso dos computadores na década de 80 se intensificou e deixou de ser
potentes calculadoras, diversificando seu uso.
As redes de informação no mundo surgem como uma nova forma de relações
entre as pessoas, não mais restrita ao exercito ou as universidades, mas sem
limites de irrestrito tanto para empresas como para pessoas comuns. Forma-se a
grande rede de acesso “livre” sem fronteiras e restrições políticas com uma
base de cooperação anarquista e que é chamado por Levy de ciberespaço.
O grande dilema é que a sociedade global tem que ser diferente, a
constituição de seus princípios que surgem com todos os problemas e
dificuldades como a desigualdade, os preconceitos e as diferenças entre as
classes, frutos da sociedade industrial as mesmas tensões, diferenças e
injustiças... , a solidão.
A esperada conscientização política que poderia surgir com a vulgarização
da informação e propagação das novas tecnologias, a terceira onda, como relatou
Pierre Levy, a revolução tecnológica não abalou nem amenizou as mazelas da sociedade industrial.
A sociedade globalizada ou
globalizante apresenta as mesmas dificuldades em compor uma verdadeira revolução
tecnológica e subverter o estado de ignorância em diversos aspectos da maioria
esmagadora dos agentes sociais que proporcionam uma política de aristrocacia
que se reveza no poder e procura utilizar as inovações tecnológicas apenas para
manter o estado de coisas e o poder.
No que se refere ao alarde da
globalização apenas houve um ajuntamento de interesses entre o estado liberal e
o que poderia ser uma mudança de um estado de noções rivais em uma aldeia
global e com a reconstituição do quadro das relações políticas e sociais
amenizando as desigualdades geradas pelas políticas de colonização e exploração
dos paises menos desenvolvidos..., é hoje apenas a união de empresas que passam
a se localizar em diversos paises simultaneamente como em uma segunda colonização
e uma reorganização das políticas econômicas e dos acordos internacionais, e o
surgimento de grandes blocos econômicos como a União Européia, o Mercosul,
Nafta e outros.
Reformulando as relações de trocas, mas com cuidado de manter as classes
sociais em seus respectivos lugares.
A cidadania continua a ser expressa através das notas e moedas corrente.
A liberdade cada vez mais vinculada à propriedade e a quanto se possui.
A democracia e a declaração de direitos humanos é como letra morta, os
direitos de liberdade, de dignidade, de fraternidade compreendem apenas uma
carta de intenções, a ciência a cultura não é
prioridade para a grande maioria dos indivíduos e sim a fome.
A
ética e a moralidade não são palavras de ordem, mas reivindicações daqueles que
têm como único compromisso manter-se vivo no aguardo de uma possível próxima
refeição.
Onde estão às tecnologias salvadoras, as soluções da ciência moderna?
A violência da sociedade capitalista e industrial que antes comprometia apenas
as classes sociais desprovida de consciência política e poder econômico agora
atinge a todos se á algo nesta sociedade que não distingue por cor, por
condição social e econômica nem por sexo é a violência imperando em todos os
ramos da sociedade.
E a sociedade globalizada e globalizante têm como herança esse legado.
“... O individualismo aparece como se fosse uma sofisticada elaboração
antológica e epistemológica, na qual se projeta muito da subjetividade do
individuo que se perdeu de suas coordenadas conhecidas, sedimentadas,
institucionadas e sacralizadas. E como se o singular fugisse para dentro de si,
precisamente quando os universais se alteram,recriam em outros níveis...”.
(Octavio Ianni).
As grandes mudanças tecnológicas nos proporcionam uma oportunidade para
um repensar as verdades socialmente instituídas, para um esforço de reflexão no
sentido de promover a melhora das relações humanas e suas convenções, para
aprimorar ou até mesmo decompor certos valores que proporcionam a manutenção do
convívio social como nós o conhecemos na tentativa reparar alguns desvios no
caminho da formação de uma verdadeira aldeia global.
De certa forma tem que ser revisto
os princípios já apresentado por Nietsche em Além do bem e do mal, numa
tentativa de construir valores que não sejam constitucionalizados, mas
convencionados e voláteis adequando assim uma nova fase na história dos avanços
tecnológicos, os avanços para a sociedade e para o social.
De repente o mundo se torna grande e pequeno, fraco e forte dos incluídos
aos excluídos a tecnologia vem se apresentando como divisor de água entre
classes sociais, favorecendo, mas uns do que os outros. Mas uma vez o que se
apresentaria ou era apresentado como uma maquina para acabar com a alienação
social e trazer grandes benefícios a esta sociedade falhou a tecnologia trouxe
a internet que trouxe entre outras bestialidades o orkut estava instaurada então a
ignorância e a propagação da intolerância e da violência.
Aos privilegiados a informação, a
tecnologia o conhecimento os melhores equipamentos, boa vida e a paz tão
desejada por todos, mas só adquirida por aqueles que têm como comprá-la.
Aos infortunados as dificuldades do familiar ao social, lutasse para
comer, para estudar, trabalhar e viver..., a grande batalha é para romper com o
ciclo da miséria humana, buscar pelo conhecimento e o saber são as maiores
armas com estas se ganham utopias, força e nada, mas se perde ou se é roubado.
A democratização nos meios virtuais aproxima dois mundos distintos o
pobre do rico, o forte do fraco, as revoluções tecnológicas, as novas ciências
e tecnologias vêm produzir um novo conhecimento com novos saberes.
A sociedade global não acaba com as diferenças e nem com as desigualdades
sociais não se apresenta boa nem má é apenas, mas uma etapa pela qual toda a civilização
tem que passar e mais uma ferramenta pela qual podemos mudar as relações
sociais.
Por fim as mudanças nas mentalidades provocadas pela globalização e pela
revolução tecnológica nos permitem tudo ou quase tudo desde que não ousemos
violar a sagrada família, a propriedade privada, poder centralizado do estado e
nem alimentar com conhecimento e saber os famintos e desprovidos de tudo.
Paulo
Rogério Sousa Santos
Bibliografia:
CASTELLS, Manuel. A Galáxia
da Internet: Reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade..
São Paulo: Jorge Zahar, 2003.
IANNI, Octavio. A sociedade
global, Editora Civilização Brasileira, 8º edição. Rio de Janeiro. 1999.
LEVY, Pierre. A inteligência
coletiva, trad. De Luiz Paulo Rouanet. Editora Loyola. 4ºedição. São Paulo.
2003.
sábado, 4 de agosto de 2012
Pierre Joseph Proudhon, O que é a Propriedade?
Esse trabalho tem a proposta de
fazer uma resenha da obra de Pierre Joseph Proudhon, O que é a Propriedade? , e
como esse pensador deu a esse tema um tratamento inovador, na origem do seu
entendimento e na sua inferência nas relações sociais. Os valores são
questionados na medida em que se tornam verdadeiros entraves para o
desenvolvimento da sociedade, no que diz respeito a aos indivíduos sociais bem
como no comportamento e nos costumes de
forma coletiva.
O filósofo Pierre Joseph Proudhon foi sem duvida um dos mais importantes
teóricos anarquistas, suas considerações serviram de base para o
desenvolvimento da maioria das teorias anarquistas e influenciou de forma
determinante filósofos como Bakunin, Kropotkin, Malatesta entre outros.
Das obras de Proudhon se destaca a tese sobre o que é propriedade?
Questionamento que dá nome a seu livro mais celebre.
A orientação politica de Proudhon é o anarquismo, sendo esse o primeiro
teórico a se declarar anarquista de forma clara e explicita, na tentativa de
diferenciar o socialismo autoritário e a social democracia burguesa do
socialismo libertário (anarquismo).
“Em suma, não sistematizo: peço o fim dos privilégios, a abolição da
escravatura, a igualdade de direitos, o reino da Lei; Justiça, nada mais que
Justiça; tal é o, resumo do meu discurso; deixo a outros a tarefa de
“disciplinar o mundo”.” (Proudhon, O que é a propriedade?).
Proudhon figura como um grande ativista anarquista além de teórico muito
perspicaz e comprometido com a causa da liberdade. Tendo nascido em Besançon na
França em 15 de Janeiro de 1809 e vindo a falecer no dia 19 do mesmo mês, porém
no ano de 1865 aos 56 anos na cidade de Passy.
A vida politica desse pensador confunde-se com suas teorias, o que uma
característica que é própria dos teóricos anarquistas, não apenas pela ascensão
da ciência positivista daquele momento histórico a qual os anarquistas se
serviam para compor algumas analogias entre a ciência exata e a politica.
3 – Justificativa:
O que é a propriedade?
Assim com esse questionamento Proudhon inicia sua tese, a pergunta feita
pelo filosofo é pouco intrigante em sua formação, porém a resposta que ele nos
apresenta é para muitas pessoas inusitadas. A propriedade é um roubo diz
Proudhon, sim um roubo e a ainda mais espantosa é a comparação de que o
proprietário é um criminoso visto a analogia feita pelo pensador, onde a
escravidão é comparada a um assassinato e a propriedade a um roubo, ambos
considerados (assassinato, roubo) crimes segundo o estado de direito.
A provocação do pensador é interessante na medida em que esclarece de
forma definitiva sua discordância com a lógica social e econômica da sociedade
moderna e capitalista.
Para informar de forma didática ao leitor suas considerações Proudhon faz
uma serie de analogias entre as ciências e suas descobertas em relação a
ciências politicas e a dificuldade em aceitar questionamentos e novas propostas
vista o imperativo da manutenção do exercício do poder.
Como a politica moderna tem como lastro as ideais de Aristóteles e suas
considerações, em evidencia nesse caso em particular suas afirmações sobre as
diferenças entre as classes sociais, demonstra então como houve erros por parte
de diversos filósofos em diversas áreas da ciência, a saber; "Como é que
não veem, dizia Santo Agostinho (..) que, se houvesse homens sob os nossos pés,
estariam de cabeça para baixo e cairiam no céu? O bispo de Hippone, que julgava
a terra plana, porque lhe parecia vê-la assim(..)” E assim segue demonstrando
como os alegados princípios lógicos e as categorias definidas pelos pensadores
não se sustentaram diante das novas descobertas tanto na astronomia como nos
diversos seguimentos da ciência.
Proudhon nos fala de como o julgamento é feito através das aparências das
coisas e de simples induções embora forjadas em uma lógica que se atribui
realidade aos conceitos, nos levando ao erro e ao engano e passamos a acreditar
em um numero enorme de absurdos e lorotas. E se passarmos das ciências físicas
para as ciências morais existem diversas verdades construídas da mesma forma,
através de aparências, influências e falsos axiomas. Porém seja qual for o
conceito ou a crença sobre a terra e sua forma ou constituição física não ira
alterar o rumo natural do planeta e as leis naturais, no entanto as leis morais
dependem da ação do homem e dos conceitos formulados pelo homem no que nos diz
Proudhon; “(..) é em nós e por nós que se cumprem as leis da nossa natureza
moral: ora estas leis não podem executar-se sem a nossa participação pensante,
se não as conhecermos. Portanto, se a nossa ciência das leis morais é falsa, é
evidente que, desejando o bem, provocaremos o mal; se ela é incompleta, bastará
durante algum tempo ao nosso progresso social, mas acabará por nos fazer tomar
um caminho falso e por precipitar-nos então num abismo de calamidades.”
É nessas questões que devemos atentar para obter mais conhecimento visto
sua inferência na vida econômica e politica da sociedade, e que nos afeta
diretamente. Entre as crenças oriundas dessas leis morais a que mais tempo
acompanha as civilizações, segundo Proudhon, é a crença em Deus instigada pelos
sacerdotes e precursora de um grande número de injustiças e desigualdade na
história das civilizações. Como refutar essas crenças que durante tanto tempo
persiste no imaginário humano, as classes sacerdotais sempre aliadas do poder e
dos mandatários fustigando o povo a não acreditar em novidades e se manterem
fiéis as tradições e aos costumes.
Os romanos e seus costumes viveram e morreram por suas leis e tradições
afogados em sua luxuria e adorando seus imperadores loucos sem se darem conta
de sua própria derrocada. O cristianismo pregando uma nova lei e uma religião
mais justa não ultrapassou o momento da sua permitividade eclesiástica e logo
foram engolidos pelo sistema, tornando parte da mesma arquitetura contraria a
solidariedade e a justiça.
O homem segundo a orientação dos teólogos cometeu um pecado imperdoável
(o pecado original) e nada pode ser feito para revoga isso sua condição de
miserável é inevitável, tal é a crença que se propagou no ocidente através da
nova religião. Todos os mártires desde Jesus e seus seguidores que diziam
trazer uma boa nova, nos traz por meio dos sacerdotes uma péssima noticia,
viver em penúria, mais penitencia, jejum
privação, escravidão por uma promessa de recompensa pós-morte,. “A verdade
cristã não ultrapassou a idade dos apóstolos; o Evangelho, comentado e
simbolizado por Gregos e Romanos, repleto de fábulas pagãs, tornou-se um sinal
de contradição; e até hoje o reinado da Igreja Infalível apenas engendrou um
grande obscurecimento.”(Proudhon).
A sociedade que se estabelece não é uma sociedade igualitária, mas sim
uma sociedade com base no direito diversificado entre os entes sociais. O
direito do nobre o direito do rei o direito do sacerdote e o direito do
plebeu. O Rei o sacerdote e toda a
classe de possuidores tinham diversos privilégios baseados em direitos de
nascença e de posse e tantos quantos sua imaginação real pudesse criar, para a
sustentação de tantas prerrogativas a privação e a miséria se tornaram o
direito do povo. Somente em 1793 o povo se livra desse julgo e arranca a cabeça
do monarca Luiz XVI, porém a falta de conhecimento e o costume fazem com que a
revolta momentânea não deixe que a revolução se consolide e se opera apenas
mudanças já que a derrocada da monarquia apenas do lugar a democracia e uma e o
estado continua com suas instituições de poder embora de forma mais
distribuído, porém não menos opressor e injusto.
O que nos aponta Proudhon é que o povo ao combater a estrutura politica
não compreende a principal causa da manutenção da desigualdade social, a
propriedade privada, o acumulo de capital que provoca o desequilíbrio e as
diferenças sociais.
Proudhon faz uma distinção entre propriedade e posse, a posse é um
direito comum a todos, a propriedade é que é uma irregularidade, se toda a sociedade e compreendida entre um
acordo entre iguais o proprietário que arrenda sua propriedade e cobra do
arrendatário uma porcentagem da sua produção demonstra ai o desequilíbrio e a
irregularidade se torna clara. Como pode quem não trabalha se beneficiar do
lucro da produção de outro, não obstante o estado e a igreja apoiam e
reivindicam ter direito a parte desse lucro, recaindo sobre o trabalhador
pesado fardo sobre condição de impostos, dízimos e outras modalidades e
confisco. “Outrora a nobreza e o clero não contribuíam para as despesas do
Estado senão a título de ajuda voluntária e doações; os seus bens eram
inacessíveis mesmo para pagamento de dívidas: enquanto o plebeu, sobrecarregado
de tributos e impostos era incomodado sem descanso, tanto pelos cobradores do
rei como pelos dos nobres e do clero”(idem).
Com a revolta o povo sonhou com a propriedade sendo utilizada por todos
assegurando o direito a terra, não compreendendo que mantinha o mesmo principio
do regime que acabava de destituir, a propriedade foi mantida e colocada como
coisa principal a se defender, tornando a propriedade intocável.
A organização social tem que ser livre para que a igualdade seja
assegurada os meios de produção e os demais benefícios que um ajuntamento de
pessoas possa proporcionar devem ser divididos da forma mais justa possível e a
diferença entre as pessoas não deve existir, apoiando sua genialidade na
liberdade e na igualdade os homens devem redefinir seus costumes e sua conduta
moral, sem as discrepâncias proporcionadas pela propriedade privada e os
privilégios econômicos que ela proporciona.
Não obstante, o proprietário reivindica o lucro o ganho sobre seus bens
sem que ele próprio tenha condições de produzir sozinho o mesmo ganho que julga
merecer. O direito que os ilustres proprietários querem defender não tem base
na razão e na lógica quer seja econômica ou moral, a justa porção que recai sobre
o proprietário não pode ultrapassar o que ele é capaz de produzir sozinho. Ora
o que se prática é a oneração do trabalho alheio para suprir a ganancia e o
roubo do lucro do trabalho alheio. Não há limites para as perspectivas de ganho
dos patrões e arrendatários, querem
ganhar dez, cem, mil ou um milhão de veze mais do que sua capacidade individual
de produção. O proprietário sozinho não seria capaz de faturar nem mesmo metade
do que reivindica para si, o lavrador deve arrendar a terra e pensar em como
pagar o dono das terras, os impostos, o custo da produção e o dizimo da igreja.
No que diz Proudhon, “Portanto. tudo o que transaciona das mãos do
ocupante para as do proprietário a titulo de lucro e como preço da licença para
ocupar, é irrevogavelmente adquirido pelo segundo, perdido pelo primeiro, nada
podendo voltar a este senão como doação, esmola, salário de serviços ou
pagamento de mercadorias por ele entregues.”
O proprietário não apenas se apropria do produto do trabalho de quem
realmente produz como exige valor e tempo específicos a fim de sanar a sua
usura.
O conceito de propriedade como fonte permanente de lucro faz com que o
proprietário que utiliza seu imóvel da prejuízo a si mesmo e acumula o
percentual de perdas a cada mês que permanece no imóvel que deixou de alugar
para aferir lucro. O pequeno proprietário core o risco de acumular dividas com
impostos e obrigações com o fisco, provenientes do suposto lucro que deveria
aferir caso não ocupasse sua propriedade podendo até mesmo ser tomada pelo
governo por falta de pagamento dos impostos compulsórios.
O arrendatário, porém é obrigado a pagar todas às dividas provenientes do
direito de propriedade com o fruto do seu trabalho, devendo pagar o que não é
capaz de produzir. Como o trabalhador não consegue sanar todas as dividas as
quais foi submetido , fica sujeito a adquirir empréstimos que vão se acumulando
e não consegue acabar de pagar nunca. O proprietário se ausenta do trabalho mas
não se distancia da propriedade, sempre atento a situação da produção pronto
para exigir mais dos trabalhadores a sua disposição, no que diz Proudhon se o
trabalhador pode produzir 10 o proprietário lhe exige como sua parte nos lucros
12, deixando o trabalhador sempre em divida e preso a seu contratante.
O costume e as leis não são pautados na justiça, mas na consideração da
defesa da propriedade, que consome a sociedade pelos seus princípios sem lógica
e suas práticas injustas. No que salienta o pensador a justiça tem como
premissa irrevogável a igualdade, não apenas a igualdade de ação
concomitantemente a igualdade de condições. A razão e a lógica que Proudhon
lança mão definem em suma o fato concreto de que o direito ao lucro é em outras
palavras o direito ao roubo, confisco e apropriação indevida do esforço e trabalho
alheio.
A propriedade consome o fruto do trabalho por usura e não por
necessidade, e esgota o trabalhador impossibilitando seu progresso, o que
define a sociedade com base na propriedade como inviável no que toca a justiça
e a igualdade. “A propriedade é impossível; a igualdade não existe. A primeira
nos é odiosa e queremos destrui-la: a segunda absorve todos os nossos
pensamentos e não sabemos concretizá-la.”
Para que se estabeleça igualdade de direitos e deveres a liberdade deve
ser o ponto de partida a convergência social, a liberdade deve ser a base da
sociedade não a propriedade. A distinção feita por Proudhon entre propriedade e
posse demonstra sua compreensão sobre o uso da terra, a terra deve ser de quem
nela produz, bem como as fábricas e os meios de produção aos que deles fazem
uso, e engrandecem a sociedade com seus resultados. A presença do proprietário
é a de um ser estranho e de certa forma uma abstração surreal do processo
produtivo.
Conclusão
A essência da organização social é a liberdade, e a única forma de
assegurar a justiça e a igualdade social tornando equânime as relações entre os
entes sociais e possibilitando uma comercialização justa entre os centros
urbanos e os trabalhadores agrícolas. O apoio mutuo consolidando as relações entre
as nações federadas de acordo com as condições de cada uma, compartilhando os
entendimentos as tecnologias e os bens de produção fomentando o desenvolvimento
coletivo. De modo que a justa proporção seja a medida da troca e que não haja
acumulo de riquezas desnecessárias a economia, que nenhum ligar tenha mais do
que necessita e que não tenha carência em nenhuma região e que ninguém passe
por dificuldades em detrimento do luxo de alguns poucos. “A propriedade e a
realeza estão em decadência desde o principio do mundo; como o homem procura a
justiça na igualdade, a sociedade procura a ordem na anarquia”(ibidem). É essa
a proposta de Proudhon como organização social, tendo o homem como medida para
a constituição de uma ordem social justa e igualitária, sem mestres ou patrões
senhores ou lideres, apenas a sociedade sendo autogestionada e a vontade
popular sendo efetivamente aplicada sem intermediação ou imposição de grupos ou
pessoa exercendo o poder do estado e de suas instituições.
A posse deve ser individual, nos indica Proudhon, o que torna a
propriedade ilegal ação que por si só modifica todas as relações econômicas da
sociedade, tornando mais justa a distribuição de terras e moradias,
proporcionando a todos de forma igual o direito de ocupar variando de acordo
com o numero de ocupantes na intenção de impossibilitar a propriedade, o
trabalho passa a ser um dever de todos e o resultado do emprego dessa força de
trabalho passa a ser propriedade coletiva. No que conclui, o trabalho acaba com
a propriedade e a exploração do homem pelo homem. As transações comerciais
devem se feitas na medida da troca do produto pelo produto, impossibilitando
uma renda desproporcional nas transações comerciais, toda troca dever ser feita
de forma livre e equivalente entre os interessados, observando essas condições
a desproporcional diferença entre ricos e pobres deixara de existir e problemas
como a escassez de alimentos será coisa do passado. “Os homens estão associados
pela lei física e matemática da produção antes de o serem pelo seu pleno
acordo: portanto, a igualdade de condições é justa, quer dizer, de direito
social; a estima, a amizade, o reconhecimento apenas de direito equitativo ou
proporcional.”(ibidem)
O homem sozinho não produz nem mesmo para suprir todas as suas necessidades,
mas em grupo ultrapassa as necessidades econômicas.
Por intermédio de livre associação e cooperação mutua com a manutenção da
igualdade de direitos e deveres preservando a liberdade individual é, com
efeito, a única maneira de se promover uma sociedade justa e igualitária.
Não existe possibilidade de justiça em uma sociedade onde a base
econômica é a propriedade e a desigualdade produzida por essa forma de economia
que gera pobreza e riqueza de forma diretamente proporcional, o governo de
poucos sobre os demais é mantido pela ação violenta do estado e de suas
instituições. A organização social deve ser pautada em uma politica de
liberdade e igualde que terá como
consequência justiça social, a busca por uma sociedade perfeita tem como base
de apoio a fusão entre a ordem e a anarquia.
Paulo Santos
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