sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Immanuel Kant- Critica da razão pura


 Filosofia da Ciência

A relação da ciência e da filosofia como um complemento necessário e ulterior a construção do saber humano é apropriado a própria critica de Kant em relação a superação da metafísica como simples afirmação sem rigor cientifico. A filosofia antecede a ciência, e avança na formação de uma ciência racional sem limitações para o por vir, não mais engessada em condicionantes próprios da indução e da experiência, mas com aporte do conhecimento a priori.
Na introdução a critica da razão pura Kant principia suas considerações afirmando que o não se pode por em duvida a eficácia do conhecimento por meio da experiência, na medida em que impulsiona nossas faculdades a adquirir compreensão dos fenômenos no que diz Kant; “Não se pode duvidar de que todos os nossos conhecimentos começam com a experiência (..)impulsionam a nossa inteligência a compará-los entre si, a reuni-los ou separá-los, e deste modo à elaboração da matéria informe das impressões sensíveis para esse conhecimento das coisas”
No entanto na composição de sua analise implementa a condicionante do conhecimento que não se origina na experiência, dada a possibilidade de construção racional e lógica do ser cognocente.
Como exemplo Kant apresenta a matemática onde toda a construção do saber é racional, não tendo necessária fonte de dados a experiência, e o conhecimento empírico.
Na seção IV da introdução a critica da razão pura, Kant demonstra a diferença entre o que ele chama de juízo analítico e o juízo sintético.
No que diz, ” Em todos os juízos em que se concebe a relação de um sujeito com um predicado (considerando só os juízos afirmativos, pois nos negativos é mais fácil fazer, depois, a aplicação), esta relação é possível de dois modos: ou o predicado B pertence ao sujeito A como algo nele contido (de um modo tácito), ou B é completamente estranho ao conceito A, se bem se ache enlaçado com ele.No primeiro caso chamo ao juízo analítico, no segundo, sintético.
Segundo Kant o problema do juízo analítico é que não acrescenta ou subtrai nada do sujeito, apenas demonstra sua características informa sua condição. O que revela minha consciência do sujeito e nada mais. No juízo sintético, se denomina e faz inferência sobre o sujeito, o que é extensivo qualificador.Para Kant os juízos oriundos da experiência são todos sintéticos.
O questionamento feito a partir dessas afirmações é sobre a possibilidade de existirem juízos sintéticos provenientes da própria razão, o que aponta Kant ser essa problemática envolvendo o juízo sintético e analítico como a elucidação dos problemas metafísicos que até o momento, de acordo com o pensador, estavam em uma situação duvidosa em relação ao rigor dos métodos adotados para as proposições.

No que diz Kant; “A vida ou morte da Metafísica depende da solução desse problema, ou da demonstração de que é impossível resolvê-lo”
A metafísica sempre acompanhara o homem e sua condição de especular o que está além da sua compreensão adquirida, é um impulso ao desconhecido, formando novas possibilidades e saberes. E é n a critica que se origina a ciência, através do uso da  razão, sem dogmas e postulados céticos.
“Não se necessita grande abnegação para renunciar a todas essas pretensões, posto que as evidentes e inevitáveis contradições da razão consigo mesma no processo dogmático, causaram por largo tempo o descrédito da Metafísica.”
A proposição de um conhecimento “a priori” possibilita o avanço da ciência na medida em que se consolidaram métodos de investigação e de pesquisa cientifica a partir de trabalhos realizados anteriormente, outro sim, a metafísica firma-se como ciência capaz de elucidar questões e desenvolver saberes que não seriam possíveis sem o aporte.
Referencia bibliográficas:
Kant, Immanuel. Critica da razão pura. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/6967030/Kant-Immanuel-Critica-da-Razao-Pura> Acessado em: 02/11/2011.

Adorno e Horkheimer: A Indústria Cultural


A indústria cultural é um termo criado por Adorno e Horkheimer relacionado ao fato do sistema capitalista submeter  a arte a condição de produto de consumo de massa, impondo sua característica principal, (do sistema capitalista) da relação de produção e consumo , que não possui  a preocupação com os aspectos singulares da criação artística, mas tão somente com o lucro e o consumo em massa.
Adorno e Horkheimer demonstram como a arte é tratada de acordo com essa relação de produção e consumo com o exemplo da musica, onde não se trabalha a construção artística a mensagem e os aspectos fundamentais para a construção artísticas, apenas se fabrica musicas para serem comercializadas tocadas até a exaustão e caírem no gosto popular de forma a gerarem lucro a industria fonográfica. As obras clássicas são utilizadas para fazer propaganda de todo tipo de produto desde sabonete, roupas, produtos de limpeza entre outros, sempre de forma fragmentada par a chamar a atenção dos consumidores e vender os produtos.
A singularidade da construção artística não são respeitadas ou vetores importantes para a indústria da cultura, uma cultura de massa que impõe o gosto a população que é alienada da verdadeira arte e passa a consumir a moda e a uma arte vulgar e vazia de significação e expressão artística verdadeira. O que chama de coisificação e uma alienação dos gostos populares que não podem e nem tem acesso a arte bem como de um senso critico e reflexivo sobre o que consomem. A cultura de massa a arte estereotipada impede os indivíduos de compreender a arte e processar gosto particular, seguindo a moda em todos e o que é imposto pela indústria da cultura.
A semelhança das idéias marxistas com Adorno é a critica feita na relação de consumo e de massificação da arte, fazendo relação com todo o sistema capitalista de consumo, onde o trabalhador, segundo Marx, consume o produto feito por ele mesmo. O produto passa a ser fabricado pela demanda do consumo que é reflexo dessa relação de consumo e produção em massa. A arte na indústria cultural, tem essa mesma  relação entre consumo e produção.
A arte perde assim toda a sua característica a temporal para suprir a demanda do mercado, que por sua vez criou essa demanda pelo consumo induzido através da propaganda e da indústria da arte.

Referencia bibliográficas:
Apostila de filosofia. Estética, (unidade 7). Centro Universitário Claretiano. 20011.

sábado, 3 de novembro de 2012

Uma perspectiva da teoria da complexidade de Edgar Morin e a educação no ambiente escolar


Centro Universitário Claretiano






Uma perspectiva da teoria da complexidade de Edgar Morin e a educação no ambiente escolar







Trabalho de conclusão do curso de extensão Antropologia, Educação e Ética pelo Centro Universitário Claretiano.




Paulo Rogério Sousa Santos


Santo André
    2011


Sumário





Introdução

A critica de Edgar Morin trás com muita clareza os problemas da educação e suas implicações éticas com uma perspectiva crítica do Dr. Marcelo Donizete, o pensamento de Edgar Morin e sua teoria da complexidade e sua importância no repensar o ensino e suas estruturas no ambiente escolar.
Para o Morin o homem é um ser que não esta no mundo ao acaso ele é um ser complexo, e o homem compõe em suas dimensões o ser que confronta a natureza e constrói conhecimento, ciência, é o ser que vivencia sua história e a reconhece a compreende, sendo capaz de reproduzi-la, como fator histórico/cultural, sendo assim um ser racional, cultural e realista.
E o papel da educação no ambiente escolar em relação a esse ser multidimensional, se traduz como um grande desafio.
E como podemos compreender esse individuo no contesto escolar?

A instrução e o desafio escolar

A educação escolar proporciona uma influencia muito grande na vida das pessoas que a ela tem acesso, no contexto da complexidade do homem onde figura o ser que constrói conhecimento, a escola é um agente provocador e que fornece ferramentas para a construção do conhecimento. E interfere na formação das pessoas de forma considerável.
No Brasil o ensino é universalizado e gratuito, porém o acesso a esse ensino e a qualidade que é oferecida o ensino gratuito são desiguais, e proporciona ensino de qualidade apenas a uma pequena parcela da sociedade. O acesso ao ensino superior é muito restrito e apesar das ações do governo no sentido de minimizar as desigualdades no ensino ainda há uma grande disparidade de oportunidades para o acesso ao ensino superior.O que em si já trás uma dificuldade a mais ara pensar o ambiente escolar.
Segundo Donizete as afirmações de Morin passam a ter mais importância nas afirmações suscitadas por Saviani da fragmentação da educação no Brasil.
A educação nas escolas tem um contexto de trabalho para o conhecimento de jovens e crianças. Visto que a concepção tecnicista da formação educacional propõe uma escola que trabalha o pensamento da criança voltados para a sua socialização e as expectativas que a sociedade tem desses indivíduos.
 Embora como tem apontado Morin o ser humano não se restringe a concepção do “homo faber” mas tem outras dimensões que são atingidas mesmo que sem intenção no ambiente escolar, como as relações interpessoais. O pensamento de Morin se confronta os preconceitos da educação moderna que tem uma tendência a padronizar o ensino de acordo com a tendência apresenta em cada época.
Dentro desse contexto Morin aponta a necessidade de repensar as mudanças no ensino e também a mudança no pensamento de quem aprende e ensina.
Dessa forma obtendo uma melhor compreensão da realidade durante o processo de assimilação e construção do conhecimento.
A teoria pedagógica pressupõe uma necessidade de análise profunda e atenta para o desenvolvimento das bases da educação e do ensino no ambiente escolar. Com vistas à complexidade do ser enquanto individuo atuando dentro de um ambiente coletivo e diversificado.
O que nos trás uma luz a questão na obra de Morin que nos apresenta a complexidade como um motivo para pensar e não um desafio.
A idéia de compreender as pessoas como seres dimensionais, múltiplos em sua unicidade, sendo biológicos, culturais e intelectivos e espirituais. “(..)a complexidade é aquilo que tenta conceber a articulação, a identidade e a diferença de todos esses aspectos, enquanto o pensamento simplificante separa estes diferentes aspectos, ou unifica-os por uma redução mutilante(..).(Lorieri).O que enseja a teoria da complexidade é dar conta das articulações desse ser que não são atendidas pelo ensino tradicional e padronizador, onde cada matéria não se articula mas é tratada em separado. Não se propõe sanar todas as respostas mas propiciar condições para que o desenvolvimento dimensional seja respeitado, e encontre campo para se articular e desenvolver.O que tradicionalmente não se realiza, sendo podado nos padrões escolares que não respeitam essa dimensionalidade do ser.
   Essa teoria não explica tudo, mas desafia como todo pesquisador deve ter em si a necessidade de elucidar as questões que não se resolvem em toda a sua complexidade.
O pensamento de Morin tem como principal abordagem a definição da condição humana em suas composições.

 ”É o pensamento capaz de reunir (complexus: aquilo que é tecido conjuntamente), de contextualizar, de globalizar, mas ao mesmo tempo, capaz de reconhecer o singular, o individual, o concreto. (Morin e Moigne, 2000).” (aput.Lorieri).
Segundo Donizete a obra de Morin tem como ponto inicial demonstrar a condição humana, onde trata a complexidade como norteador das instruções educacionais.
 Donde as atividades devem sempre percorrer o caminho do ensino através de diferentes vias, as avenidas da complexidade.

A complexidade e as possibilidades


Segundo Lorieri,  Os caminhos da Complexidade, Morin os denomina de “avenidas” que, juntas e conexas, podem conduzir ao pensamento complexo.
E uma proposição de quebrar os laços com a metodologia comumente utilizada nas escolas e pressupor uma redimensionamento do ensino e da relação de aprendizado. Compreendendo o ser como dimensional e não apenas técnico ou trabalhador., com uma educação voltada apenas ao utilitarismo social. Mas pensar o homem como um todo complexo e com diversas possibilidades.
 E é na relação do que se conhece com o que se aprende que surgem  os novos desafios, e se adquiri novos conhecimento onde novos saberes são criados. No que a fraguimentação do ensino é uma barreira, uma herança que a educação contemporânea mantém por se tratar de suprir as necessidades da sociedade atual.
E segundo Donizete o elo entre as diversas ciências é a filosofia que tem o papel questionador, atentando as proposições nos mais diversos ramos do conhecimento, podem assim fazer a ligação entre os saberes.
O que é o verdadeiro lugar da filosofia na opinião do ator, não apenas como um ponto de ligação entre as disciplinas, mas em grande medida como formadora de um pensamento critico.
A filosofia é o condutor para o futuro do conhecimento humano, não podendo estar restrita a uma disciplina engessando o seu verdadeiro papel, que é segundo Morin, “(..)uma força  de interrogação e reflexão dirigida para os grandes problemas do conhecimento e da condição humana”. O pensamento filosófico tem como desafio modificar esse modelo parcelador e reducionista do conhecimento, e em contrapartida não permitir uma universalização descontextualizada e sem conteúdo, a filosofia tem que religar e dimensionar o ensino como um saber moldado na singularidade pluralista, na unidade na diversidade. ”Não precisamos nem de um pensamento parcelar ou reducionista, incapaz de ver o contexto e a globalidade, nem de um pensamento global e oco. Precisamos de um pensamento que considere as partes em relação com o todo e o todo em suas relações com as partes. Tal pensamento evita ao mesmo tempo que se perceba apenas um fragmento fechado de humanidade, esquecendo a mundialidade, e que se perceba apenas uma mundialidade, desprovida de complexidades. A reforma do pensamento é portanto necessária para contextualizar, situar, globalizar e também tentar estabelecer um meta-ponto de vista que, sem nos fazer escapar de nossa condição local-temporal-cultural singular, nos permita considerar, como de um mirante, nosso lugar antropoplanetário.
  A fórmula “pense global e aja local” é sempre verdadeira, mas é preciso acrescentar “pense local e aja global”. (idem,)
A educação deve ser abrangida como um plano humano, já que compõe todos os saberes adquiridos pela humanidade durante sua história.
 Sempre atentos para não fomentar generalizações vazias que nada tem a dizer, mas sim contextualizadas, questionadoras e que venham a acrescentar na construção da universalização do saber. O conhecimento tem que ser universalizado sem perder suas singularidades, não se faz uma troca de métodos mas uma conexão entre os entendimentos, entre aquilo que sabemos.
     

Conclusão

 Se pensarmos numa pedagogia, dentro dessa ótica, poderemos usufruir daquilo que a filosofia nos oferece, que é um constante desafio ao espírito humano.
O chamamento a questão dos problemas gerados pela forma como a educação vem sendo entendida nos aponta o distanciamento entre as disciplinas chamadas humanas e generalizadas, e as demais ciências que se fecharam em seus universos particulares. O prejuízo para ambas é evidente, no que se pode ser aproveitado entre a troca de experiências e a religação dos saberes como diz Morin.
      “A caminhada consiste, ao contrário, em fazer um ir e vir incessante entre certezas e incertezas, entre o elementar e o global, entre o separável e o inseparável.” (ibidem).
Porém as estruturas escolares nos dificultam a própria execução de algumas das idéias que concorrem no sentido de religar os saberes, como se apresenta atualmente no PCN a transdisciplinaridade. Ora pelos prazos a serem cumpridos, ora conteúdos programados de forma padronizada, que se traduz em simples avaliações e estatísticas sobre o ensino.
Acredito que a solução para os problemas enfrentados pela educação estão relacionados, a sua estrutura sistemática e correlacionada com a concepção utilitarista e tecnicista da sociedade moderna. Muito mais do que com as ciências e como elas são expostas. Embora compreenda que o modelo de educação seja um reflexo da sociedade contemporânea e as heranças da história que vivemos, e a fraguimentação do ensino e fruto disso, e provoca dificuldades severas ao ensino na sua integralidade.Creio que somente através de uma revolução no ensino, que possa justamente romper com essa estrutura no seu âmago, valorizando o ser humano e compreendendo o ensino como uma atividade inerente a pessoa. Poderemos criar um ambiente escolar onde se possa haver uma relação entre os saberes como preconiza Morin, da forma como o ensino esta estruturado as ações nesse sentido me parecem paliativas e ineficazes. Visto que o comprometimento necessário por parte da sociedade não se apresenta, a academia, por exemplo, é um mundo separa do resto da sociedade, é hermética e envolta as suas próprias questões em um circulo particular. Envolver a escola e a sociedade em um único objetivo que seria a mudança do pensamento educacional me parece um grande desafio.

Bibliografia 

 

Lorieri, Marcos Antônio.Educação Escolar numa perspectiva da Teoria da Complexidade.UNINOVE.Disponível em:<www4.uninove.br/grupec/Educacao_Escolar.htm>Acessado em:01/05/2010





sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O empirismo




O empirismo é a escola do pensamento filosófico relacionada à teoria do conhecimento, que pensa estar na experiência a origem de todas as ideias. O nome empirismo vem do latim: empiria (experiência) e -ismo (sufixo que determina, entre outras coisas, uma corrente filosófica). Temos, assim, a “corrente filosófica da experiência”.

Ao longo de toda a história da filosofia, diversos pensadores abordaram a questão, dando importância ao conhecimento da experiência (da sensibilidade) ao invés de apenas ao intelectual. Entretanto, o principal defensor do empirismo foi John Locke (1632-1704), filósofo inglês. O empirismo defendido ficou conhecido como empirismo britânico, e influenciou diversos filósofos.

Locke defendeu que a experiência forma as ideias em nossa mente, no seu livro Ensaio acerca do entendimento humano, de 1690. Na introdução, ele escreve que “só a experiência preenche o espírito com ideias”. Para argumentar a favor, Locke critica o conceito de que já existem ideias em nossa mente (ideias inatas). Ele procura demonstrar que qualquer ideia que temos não nasce conosco, mas se inicia na experiência.

A experiência, para Locke, não são as experiências de vida. Experiência para ele são as nossas sensações (sentidos). Ouvimos, enxergamos, tocamos, saboreamos e cheiramos. Cada um dos cinco sentidos leva informações para o nosso cérebro. Quando nascemos não sabemos o que é uma maçã, mas formamos a ideia de maçã a partir dos sentidos. Vemos a sua cor, sentimos o seu aroma, tocamos sua casca e mordemos a fruta. Cada uma dessas sensações simples nos faz ter a ideia de maçã. A partir da sensação, há a reflexão. Dessa forma, nossas ideias são um reflexo daquilo que nossos sentidos perceberam do mundo.

Com essa constatação, Locke afirma que, ao nascermos, somos como uma folha em branco. São, então, os sentidos responsáveis pelo preenchimento dessa folha.

Para confirmar sua teoria, o filósofo inglês antecipa futuras críticas. Entre as possibilidades de crítica, existe o argumento de que somos capazes de ter ideias de coisas que nunca foram percebidas pelos nossos sentidos. Locke argumenta contra este tipo de crítica, pois mesmo ideias de seres mitológicos como sereias, unicórnios e faunos são apenas junções de ideias que já tivemos anteriormente. Uma sereia é a união da ideia de mulher e peixe. Um unicórnio é a união da ideia de cavalo com a de chifre. Um fauno é a mistura de homem com bode. Não há nada nessas ideias que não tenha sido conhecida previamente. Até mesmo a ideia recente de alienígenas nada mais é do que a ideia de um homem deformado (com cabeça e olhos maiores, corpo pequeno etc.)

Depois de Locke, o empirismo britânico conheceu a reformulação feita pelo irlandês George Berkeley (1685-1753). Para ele, o que conhecemos do mundo não é realmente o que o mundo é. O mundo não é o que percebemos dele. Podemos perceber o mundo através dos sentidos, mas não conhecê-lo de verdade.

Mais radical do que o empirismo de Berkeley está o que pensou David Hume (1711-1776), natural de Edimburgo, Escócia. De acordo com Hume, só existe o que percebemos. Todas as relações que fazemos entre o que conhecemos não são conhecimentos verdadeiros. Podemos conhecer uma bola e podemos conhecer um pé, porém se chutamos uma bola não há nada que confirme que a bola se move porque foi o pé que a moveu. Com isto, Hume critica as ciências, pois trabalham com a ideia de causa e efeito. Essa relação de causalidade (causa-efeito) é uma relação entre ideias e é, portanto, não verdadeira. Tudo o que pensamos ser verdadeiro, como a causa do movimento da bola, é imaginação.

Se o que sabemos vem da experiência e a experiência apenas nos informa um pouco sobre como o mundo é, precisamos, de acordo com o empirismo, estar atentos e críticos às falsas ideias que não podem ser verificadas pelos sentidos.

Filipe Rangel Celeti
Colaborador Mundo Educação
Bacharel em Filosofia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie - SP
Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie - SP

Por Filipe Rangel Celeti

 O empirismo


Nome genérico das doutrinas filosóficas em que o conhecimento é visto como resultado da experiência sensível. Limita o conhecimento à vivência, só aceitando verdades que possam ser comprovadas pelos sentidos. Rejeita os enunciados metafísicos, baseados em conceitos que extrapolam o mundo físico, devido à impossibilidade de teste ou controle. A noção de gravidade, por exemplo, faz parte do mundo sensível; já o conceito de bem é do mundo metafísico.
 O empirismo provoca revolução na ciência. A partir da valorização da experiência, o conhecimento científico, que antes se contentava em contemplar a natureza, passa a querer dominá-la, buscando resultados práticos. O inglês John Locke (1632-1704) funda a escola empirista, uma das mais importantes da filosofia moderna. Apesar de partir do cartesianismo, Locke discorda de Descartes sobre a existência de ideias inatas produzidas pela capacidade de pensar da razão.
 Para Locke, as ideias vêm da experiência externa, pela sensação, ou da interna, via reflexão. São também simples ou compostas. A ideia de comprimento, por exemplo, é simples: vem da visão. A de doença, fruto da associação de ideias, é composta. No século XVIII, o escocês David Hume (1711-1776) leva mais longe o empirismo ao negar a validade universal do princípio de causalidade, uma vez que não pode ser observado.
 O que se observa é a sequência temporal de eventos, e não sua conexão causal. Só por uma questão de hábito pensamos que o fato atual se comportará como outros que já observamos no passado. Para o empirismo contemporâneo, também chamado de positivismo lógico, representado pelo austríaco Ludwig Wittgenstein (1889-1951), a filosofia deve limitar-se à análise da linguagem científica, expressão do conhecimento baseado na experiência.

Fonte: http://www.algosobre.com.br/sociofilosofia/empirismo.html


O empirismo
    O empirismo considera como fonte de todas as nossas representações os dados fornecidos pelos sentidos. Assim, todo o conhecimento é «a posteriori», isto é, provém da experiência e à experiência se reduz. Segundo os empiristas, inclusivamente as noções matemáticas seriam cópias mentais estilizadas das figuras e objectos que se apresentam à percepção.
     " Os pontos, as linhas, os círculos que cada um tem no espírito são simples cópias dos pontos, linhas e círculos que conheceu na experiência"
                                                                                            Stuart Mill
Assim, "a linha recta seria uma simples cópia do fio de prumo, como o plano, simples cópia da superfície do lago, o círculo da lua ou do sol, o cilindro do tronco de árvore e a noção de número deriva da percepção empírica de colecções de objectos." (Ribeiro e Silva, 1973, p. 390).
O racionalismo
    Os racionalistas consideram que só é verdadeiro conhecimento aquele que for logicamente necessário e universalmente válido, isto é, o conhecimento matemático é o próprio modelo do conhecimento. Assim sendo, o racionalismo tem que admitir que há determinados tipos de conhecimento, em especial as noções matemáticas, que têm origem na razão. Não quer isso dizer que neguem a existência do conhecimento empírico. Admitem-no. Consideram-no porém como simples opinião, desprovido de qualquer valor científico. O conhecimento, assim entendido, supõe a existência de ideias ou essências anteriores e independentes de toda a experiência.
    Descartes defende uma particular posição no interior do racionalismo: o racionalismo inatista.
O empírico-racionalismo ou intelectualismo
    Para os defensores desta teoria, as nossas representações são construções «a posteriori» elaboradas pela razão a partir dos dados experimentais. Assim, o conhecimento tem a sua origem na experiência mas a sua validade só pode ser garantida pela razão.
    As noções matemáticas são construções racionais a partir da observação dos objectos e figuras que rodeiam o homem. Decorrem de processos de abstracção e regularização relativamente à irregularidade das figuras reais.
2. Qual a natureza do  conhecimento? 
     O que é que conhecemos? Os próprios objectos ou as representações, em nós, desses objectos?
    Para responder a estas questões, duas grandes doutrinas têm sido defendidas:
 O realismo
    O realismo afirma que no acto do conhecimento, o sujeito consegue apreender um objecto que é independente e distinto dele.
O idealismo
    O idealismo defende que não é o objecto em si que conhecemos, mas o objecto tal como se nos representa. Em limite, não podemos saber sequer se há coisas reais, transcendentes ou exteriores ao espírito ou, se pelo contrário, tudo quanto existe está no espírito.

Racionalismo



Doutrina que afirma que tudo que existe tem uma causa inteligível, mesmo que não possa ser demonstrada de fato, como a origem do Universo. Privilegia a razão em detrimento da experiência do mundo sensível como via de acesso ao conhecimento. Considera a dedução como o método superior de investigação filosófica. René Descartes (1596-1650), Spinoza (1632-1677) e Leibniz (1646-1716) introduzem o racionalismo na filosofia moderna. Friedrich Hegel (1770-1831), por sua vez, identifica o racional ao real, supondo a total inteligibilidade deste último.
 O racionalismo é baseado nos princípios da busca da certeza e da demonstração, sustentados por um conhecimento a priori, ou seja, conhecimentos que não vêm da experiência e são elaborados somente pela razão.
Na passagem do século XVIII para o XIX, Immanuel Kant (1724-1804) revê essa tendência de associar o pensamento à análise pura e simples e inaugura o neo-racionalismo. A nova doutrina aceita as formas a priori da razão, afirmando, entretanto, que elas necessariamente devem ser conjugadas aos dados da experiência para que possa haver conhecimento. O racionalismo dos séculos XVII e XVIII influencia a religião e a ética até hoje.
Está presente nas várias seitas do protestantismo, que dispensam a autoridade e a revelação religiosa em favor dos postulados lógicos e racionais sobre a existência de Deus. Influencia, também, a conduta moral que atribui à razão e aos princípios inatos de bondade, entre outros, a capacidade humana de se bem conduzir.

Fonte: http://www.algosobre.com.br/sociofilosofia/racionalismo.html



Racionalismo

Racionalismo é a corrente central no pensamento liberal que se ocupa em procurar, estabelecer e propor caminhos para alcançar determinados fins. Tais fins são postulados em nome do interesse coletivo (commonwealth), base do próprio liberalismo e que se torna assim, a base também do racionalismo. O racionalismo, por sua vez, fica à base do planejamento da organização econômica e espacial da reprodução social.
O postulado do interesse coletivo elimina os conflitos de interesses (de classe, entre uma classe e seus membros e até de simples grupos de interesse) existentes em uma sociedade, seja em nome do princípio de funcionamento do mercado, seja como princípio orientador da ação do Estado. Abre espaço para soluções racionais a ‘problemas’ econômicos (de alocação de recursos) ou urbanos (de infraestrutura, da habitação, ou do meio ambiente) com base em soluções técnicas e eficazes.
Uma ideologia difere do mundo concreto não naquilo que afirma, senão no que cala (discurso lacunar) – não nega, apenas escamoteia a existência conflitos na sociedade. Um ‘apelo à razão’ é um convite a esquecer a existência de conflitos sociais.
Na sociedade brasileira o superprivilegiamento da elite e o constante entravamento do desenvolvimento  entra em contradição flagrante com a idéia do interesse coletivo e o racionalismo perde sua base material, originando também o caráter incongruente da ideologia da elite. Nessas condições se gesta um derivado curioso do interesse coletivo, a saber, oconsenso. Sendo fraca a figura do interesse coletivo, esse fica substituído por seu suposto resultado: o consenso –a saber, entre os membros da elite ou entre seus representantes no âmbito político. O enfraquecimento da base do racionalismo se reflete também no planejamento e na ação do Estado, que adquire um caráter errático e não-explícito.